A que ponto chegamos?

Daiane2Essa semana uma triste notícia espalhou-se por blogs e redes sociais. Foi o caso da bela Daiane Dornelles, a jovem gaúcha que morreu vítima de Anorexia Nervosa.

Há tempos não ouvia falar em casos como esse, pareciam ter caído no esquecimento, num tempo onde preocupar-se com opção sexual ou religiosa tornou-se mais importante e de maior audiência na mídia. Outros “problemas” entraram em evidência e os distúrbios alimentares saíram de foco, entraram em segundo, terceiro plano.

Lembro que no auge da minha adolescência, Ana e Mia – como são chamadas as doenças pelas meninas vítimas – estavam em alta, famosas iam à mídia para testemunhar sua triste experiência, novelas retratavam a dor de meninas e famílias, causas e consequências. Foi um tempo onde busquei cada dia mais saber sobre as doenças. Eu me interessava, na época, era magérrima e comia pouco, muita gente chegava me falar que estava “anorexica” sem sequer saber o que significava a doença.

Eu nunca tive anorexia, sempre comi pouco e sempre fui magra e me via magra. Essa era minha maior diferença para as meninas que possuem a doença. Mas os diversos comentários, me levaram a me interessar, procurar no orkut – rede social em evidência na época – relatos de meninas, comunidades, perfis, o que elas realmente pensavam sobre seus corpos e descobrir as loucuras que faziam.

Tinha meus 15 anos, por aí, já nos primeiros relatos, compreendi que eu era realmente magra e nada mais. Eu assumia meu corpo, era magra e não queria emagrecer mais. Diferente das muitas meninas que vi relatos. Eram pura pele e osso e qualquer excesso de pele era motivo de loucura e depressão. Eram dias sem comer, eu não estou falando em horas e sim em dias! Quando comiam, o próprio estômago rejeitava a comida e vomitavam. Faziam dietas malucas e ao sentirem culpa por uma “escapadinha”, corriam ao banheiro vomitar. Tomavam laxante. Se submetiam a cirurgia para retirada de costela para afinar a cintura. Quando tinham fome, bebiam água.

Eu, consciente da doença daquelas meninas, chorava ao ver os relatos. As fotos postadas por elas, eram chocantes. Corpos que elas buscavam atingir, corpos horríveis, sem proporção! Cheguei a conversar com uma das meninas, questionar por que ela fazia aquilo e tudo que ela me respondia, era que era gorda. Que precisava emagrecer para ser aceita. Que precisava emagrecer para ser bonita. Que precisava emagrecer para conseguir um namorado.

Hoje, não sei que rumo a vida dessas meninas tomou. Perdi o contato, deixei de acompanhar as comunidades. Temo em saber. Muitas podem estar mortas. Quando soube da história da Daiane, logo me lembrei dessas meninas e busquei, agora no facebook por comunidades como aquelas que acompanhava no orkut. Cortou meu coração ver que muitas meninas ainda se incentivam nessa loucura. Se matam em doses homeopáticas todos os dias. Uma morte triste, uma dor incompreendida pela sociedade. Morrem sem se sentirem amadas. Morrem com fome. Fome de alimento para o corpo e para alma, fome de amor, carinho e atenção, fome de compreensão.

A Daiane era uma jovem linda. Com milhares de seguidores no instagram, que a mataram dia após dia. Um homicídio tantas vezes cometido inconscientemente, com um mero elogio do corpo e perguntas sobre como ela conseguia ter aquele corpo, a levavam a querer emagrecer ainda mais. Eu não sei da vida pessoal da Daiane, mas certamente não devia ser das mais tranquilas. Ela viveu cercada por uma sociedade onde um corpo vale mais que uma vida. E isso a matou. Elogios a um corpo destorcido, a mataram. Ela não teve tempo para procurar ajuda, para reconhecer-se linda. Daiane

Essa era Daiane, uma jovem linda e magra, cheia de vida e sonhos pela frente. Mas que em seu instagram, demonstrava sinais da doença e de seu sofrimento e foi incentivada por mais de 5000 seguidores. Não deixe uma vida morrer por um padrão ridículo!

Não conheço você que está aí do outro lado, mas eu sei que você é linda! Não deixe uma sociedade repleta de desvios de padrões te dizer o contrário. Se ame! Ame seu corpo! E deixe-se amar por aqueles que te querem bem. Se você precisar de alguém para conversar, conte comigo! Sua vida vale muito para mim.

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Um pensamento sobre “A que ponto chegamos?

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