Barco a vela solto pelo mar…

Ja passa da 1 da manhã e escrevo embalada pelas curvas da estrada que liga Piraí à Cachoeira. Há mais de uma hora na estrada, o sono teima em não aparecer, talvez seja por que meu pensamento insiste em correr longe. São tantas coisas que passam em minha cabeça agora. Partir rumo a um sonho, talvez seja esse o significado dessa viagem. Com as cortinas abertas, viajo com a cia das estrelas que abrilhantam o céu. Uma mensagem me interrompe o pensamento e trás aperto ao coração, saudade, nó na garganta, mas me dá força e me encoraja a seguir em frente. Meus pensamentos seguem naquilo que viverei, ora me trazem medo, ora me trazem sorrisos. Visto que os últimos 4 anos me trouxeram meu maior amadurecimento e experiências, relembro cada momento, os risos soltos na sala do terceirão, os conselhos daquela professora, que longe de casa, se tornara uma segunda mãe, as indecisões e o medo de não alcançar a vitória na prova em que estava sendo preparada durante o ano todo; relembro ainda o misto de sentimentos ao ser aprovada, a sensação de vitoria; o ano intensamente vivido na faculdade de engenharia, os amigos que surgiram, as inúmeras partidas de truco, churrascos e até os “saborosos” almoços no RU da UEPG; daí à decisão de que não estava no caminho certo, à decisão de largar tudo, dar passos largos para trás – passos para trás servem para impulsionar – e enfim seguir rumo aos sonhos sonhados na infância, me dou conta que estou seguindo em busca do sonho de quando tinha 5 anos, que fazia da escova de cabelo meu microfone e entrevistava as bonecas, ou quando, recém aprendido a preparar um copo de “nescau” sozinha, me imaginava a “chefe de cozinha”, separava os ingredientes e de frente para a câmera – imaginária – ensinava o preparo da difícil receita; ou então, quando ainda sem nem saber falar direito, me exibia toda em frente à câmera – que ainda gravava VHS – da mãe; ou mais tarde, quando ganhei meus primeiros livros “pré-adolescentes” e inspirada comecei a escrever meu diário, falando que um dia ele se tornaria um livro.
Em meio a tantas lembranças, não tem como a lagrima não rolar, não tem como não ter a certeza de que Deus cuidou de cada detalhe até aqui. Me fez experimentar das mais diversas opções, da medicina à engenharia, ter as melhores lembranças de cada momento, viver intensamente todos esses anos e poder guardar comigo as maiores lembranças e tanto aprendizado, mas no momento certo, Ele pôde tocar meu coração e me fazer voltar para aquele mais inocente e sincero sonho de criança e me dizer: é esse sonho que você vai perseguir agora! É nas mãos dele que eu entrego mais esse sonho, que esse novo tempo, seja mais um tempo de conhecimento, experiência, aprendizado! Sigo com a confiança de que se os sonhos de criança não forem para se realizar, terei um colo pra voltar, e mais uma vez a chance de dar passos para trás, me impulsionar e recomeçar! Porque o maior arrependimento que uma pessoa pode ter é um dia se perguntar: “por que eu não tentei?”.
Guia-me Senhor pra onde aprouver.”

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